Após 11 anos, Governo de Pernambuco retoma monitoramento de tubarões no litoral da Região Metropolitana

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Projeto Ecotuba terá duração de 24 meses e busca ampliar conhecimento sobre os animais para fortalecer ações de prevenção, segurança aquática e conservação marinha

O Governo de Pernambuco retomou, nesta sexta-feira (4), o monitoramento científico de tubarões no litoral da Região Metropolitana do Recife (RMR), após 11 anos de interrupção das atividades na região. A iniciativa é realizada por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas), em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), responsável pelo Projeto Ecotuba.

O monitoramento tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre a ocorrência, distribuição e comportamento dos tubarões no litoral pernambucano. As informações produzidas deverão subsidiar estratégias de manejo e conservação, além de contribuir para o aprimoramento das ações de prevenção de incidentes e segurança aquática.

O projeto terá duração de 24 meses e prevê a marcação de até 50 tubarões. O investimento total é de R$ 2,052 milhões, sendo R$ 1,052 milhão da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti), por meio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe), e R$ 1 milhão do Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema).

As primeiras expedições serão realizadas até terça-feira (8). Segundo Danise Alves, secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), a primeira saída teve caráter piloto para testar equipamentos, embarcação e metodologia antes do início da etapa regular de monitoramento.

Como será feito o monitoramento

Durante as expedições, os pesquisadores utilizarão a técnica de pesca com espinhel para capturar os animais. Os tubarões passarão por procedimentos científicos seguindo as normas do Comitê de Ética no Uso de Animais (Ceua).

Entre os procedimentos estão a medição do comprimento, identificação do sexo, ultrassonografia em fêmeas para avaliar o estágio reprodutivo e coleta de amostras de tecido e sangue para análises genéticas e de biomonitoramento.

Os animais receberão ainda uma marca externa de identificação e um microchip implantado na região ventral, permitindo o acompanhamento individual dos exemplares. A equipe também registrará informações ambientais, como temperatura da superfície do mar, salinidade, turbidez da água e condições de vento e correntes.

O estudo dará atenção especial às espécies relacionadas aos incidentes registrados na região, principalmente o tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e o tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas).

Para o professor e pesquisador do Projeto Ecotuba, Paulo Oliveira, a retomada do monitoramento permitirá aprofundar o conhecimento sobre a ecologia e a biologia dos animais.

“A retomada desse monitoramento tem a finalidade de entender mais acerca da ecologia e biologia desses animais e, a partir desses resultados, nós termos subsídios para minimizar essa questão envolvendo incidentes entre tubarões e seres humanos”, explicou.

Além da pesquisa científica, o projeto prevê ações de educação ambiental e ciência cidadã, buscando aproximar a população do conhecimento produzido e contribuir para a conservação dos ambientes marinhos.

Integração com Fernando de Noronha

Atualmente, o monitoramento contínuo de tubarões em Pernambuco é realizado no Arquipélago de Fernando de Noronha, também sob coordenação da UFRPE, com apoio do Governo de Pernambuco, ICMBio e Econoronha.

Com a retomada das atividades no litoral continental, o projeto pretende ampliar a compreensão sobre a possível conexão entre os ambientes marinhos da Região Metropolitana e de Fernando de Noronha, produzindo informações para ações de conservação, educação ambiental e gestão costeira.