TCU considera parcialmente procedente denúncia e aponta falhas de transparência em contratos do Hospital da Criança do Recife

Cidade Destaques

Decisão unânime do Tribunal de Contas da União identifica impropriedades na divulgação de informações sobre contratos da obra; Corte não determinou suspensão dos contratos nem aplicou sanções.

O Tribunal de Contas da União (TCU) considerou parcialmente procedente uma denúncia relacionada aos contratos da construção do Hospital da Criança do Recife e apontou falhas de transparência na divulgação de informações pela Prefeitura do Recife. A decisão foi aprovada por unanimidade pelo Plenário da Corte em 24 de junho.

A denúncia foi apresentada pelo vereador Eduardo Moura, que levou ao TCU questionamentos sobre contratos vinculados ao empreendimento, que recebeu recursos federais. Após análise técnica, o Tribunal reconheceu impropriedades relacionadas ao cumprimento das normas de transparência e determinou que o município adote medidas para evitar que as falhas se repitam em futuras contratações.

Segundo o acórdão, a fiscalização identificou ausência de informações sobre a origem de recursos federais utilizados em um dos contratos, inconsistências entre os dados publicados no Portal de Compras da Prefeitura e os documentos referentes a aditivos e reajustes contratuais, além da falta de informações sobre a execução dos contratos. Para o TCU, essas falhas contrariam dispositivos da Lei de Acesso à Informação e comprometem a transparência da gestão pública.

A análise alcançou os contratos nº 2601.4001/2024 e nº 2601.4016/2025. O processo foi apensado a outra fiscalização que continua em andamento e analisa outros aspectos relacionados à contratação da obra.

O Tribunal, no entanto, não determinou a suspensão dos contratos, não aplicou sanções aos gestores envolvidos e, nesta decisão, não concluiu pela existência de sobrepreço, superfaturamento ou irregularidades na execução da obra. O foco do acórdão ficou restrito às falhas de transparência verificadas durante a fiscalização.

A decisão também reforça a atuação fiscalizatória do vereador Eduardo Moura, autor da denúncia que deu origem ao processo. O parlamentar vinha cobrando esclarecimentos sobre a contratação e a aplicação dos recursos públicos destinados ao hospital.

Procurada por um jornal do estado, a Secretaria de Projetos Especiais da Prefeitura do Recife informou que ainda não havia sido oficialmente notificada da decisão do TCU e afirmou permanecer à disposição dos órgãos de controle. A pasta também declarou que conduz seus processos e contratações observando os princípios da legalidade, da transparência e da boa gestão dos recursos públicos.

Com a decisão, o TCU determinou o aperfeiçoamento dos mecanismos de transparência da Prefeitura do Recife, enquanto a fiscalização sobre outros aspectos da contratação do Hospital da Criança segue em tramitação na Corte.