Quebra de sigilo bancário e fiscal do filho de Lula ocorre em meio a acusações sobre fraudes no INSS
A CPMI do INSS aprovou, nesta quinta-feira (26), a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão ocorreu durante uma sessão marcada por confusão, empurra-empurra entre parlamentares e questionamentos da oposição sobre a contagem dos votos.
Após a aprovação, a oposição alegou que houve erro na votação simbólica e pediu a anulação do resultado. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), rejeitou o pedido. Em seguida, a bancada governista levou a questão ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), cuja decisão ainda não havia sido divulgada até o encerramento da sessão.
Investigação mira suposta ligação com lobista do INSS
A quebra de sigilo de Lulinha foi aprovada para apurar uma suposta ligação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores de um esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas.
Em dezembro, durante nova fase da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, vieram à tona pagamentos que somam R$ 1,5 milhão, feitos por ordem de Antunes a uma empresária próxima ao filho do presidente, Roberta Luchsinger. Ela foi alvo de mandado de busca e apreensão e é sócia da empresa RL Consultoria e Intermediações.
Uma das transferências, no valor de R$ 300 mil, aparece em mensagens analisadas pela PF, nas quais Antunes afirma que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”. Os investigadores tentam esclarecer se a referência se trata de Lulinha.
Operação envolve políticos e ex-dirigentes do INSS
A mesma fase da operação resultou na prisão de Adroaldo da Cunha Portal, então considerado o “número dois” do Ministério da Previdência. O senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado, também foi alvo de mandados de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Federal, Antunes atuava como intermediário entre sindicatos, associações e servidores do INSS, recebendo valores descontados indevidamente de aposentados e repassando parte dos recursos a funcionários públicos, familiares e empresas ligadas ao esquema.
Mensagens e suspeitas ampliam pressão política
As investigações apontam que Roberta Luchsinger teria papel relevante na organização criminosa, auxiliando na ocultação de patrimônio, movimentação financeira e uso de empresas para lavagem de dinheiro. A PF também aponta que ela seria um dos elos entre Lulinha e Antunes em projetos na área da saúde.
Mensagens analisadas mostram Luchsinger orientando Antunes a se desfazer de telefones após buscas da PF e mencionando que, “na época do Fábio”, acusações semelhantes já teriam surgido, em referência a episódios antigos envolvendo a empresa Friboi.
Apesar das citações, Lulinha não era investigado formalmente até então. Em dezembro, o presidente Lula declarou que todas as pessoas envolvidas no esquema seriam investigadas, inclusive familiares. “Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado”, afirmou.
Tentativas anteriores de convocação foram barradas
A CPMI havia rejeitado, duas semanas antes, a convocação de Lulinha para prestar esclarecimentos. O pedido, apresentado por parlamentares do partido Novo, foi derrotado por 19 votos a 12, com apoio da base governista.
A pressão aumentou após depoimento do ex-servidor do INSS Edson Claro, que afirmou à PF que Lulinha teria mantido relação próxima e até societária com Antunes, além de suposto recebimento de valores milionários e uma “mesada”. Claro é um dos investigados e prestou depoimento em outubro de 2025.
Quem é Lulinha
Fábio Luís Lula da Silva é o filho mais velho de Lula com Marisa Letícia. Formado em biologia, atuou como empresário no setor de tecnologia e foi sócio da empresa Gamecorp, nos anos 2000. Ele já foi investigado em outros episódios, como suspeitas envolvendo a Oi/Telemar, mas os casos foram arquivados.
Atualmente, Lulinha vive fora do Brasil e, segundo reportagens, estaria trabalhando para uma empresa na Espanha.
Fraude bilionária no INSS
A investigação da CPMI tem como base uma apuração conjunta da CGU e da Polícia Federal, que revelou um esquema de descontos ilegais em benefícios do INSS entre 2019 e 2024. Estima-se que o valor total envolvido chegue a R$ 6,3 bilhões.
Entre os investigados estão ex-dirigentes do INSS, servidores públicos, empresários e lobistas. O então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi demitido e preso no decorrer das investigações.
A CPMI segue em andamento e deve aprofundar a análise das conexões políticas, empresariais e financeiras relacionadas ao esquema.
Fonte: Mundo Noticiário – https://mundonoticiario.com/
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